Por João Ricardo Camargo

Deixou-nos, nesta tarde de 1º de setembro de 2021, o Prof. José Manoel de Arruda Alvim Netto (85).

O Prof. Arruda Alvim foi um jurista completo; um incessante estudioso. Quando lhe convidavam para falar a respeito de algum tema “novo” – ele aceitava, sem pestanejar. E, em seguida, após reunir todas as obras sobre o tema, quer fossem em português, quer fossem em língua estrangeira, dedicava-se a lê-las com profundidade. Ordenava as ideias com perfeição e as dispunha na fala, com clareza invejável.

Com notável e sólido conhecimento jurídico, e rigor termológico-científico, escreveu obras em vários ramos do Direito e tem centenas de trabalhos publicados, inclusive, em inglês, alemão e italiano. Foi Professor Titular de Direito Civil da PUC-SP, Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e Procurador da Fazenda Nacional. Também cooperou com o progresso da sociedade, ao participar e influenciar inúmeros projetos de lei.

Aqueles que tiveram o prazer de conhecê-lo, puderam ver um Homem extremamente cordial, muitíssimo culto e generoso… um verdadeiro Lord. Possuía cultura incomum. Era capaz de citar, de cabeça, trechos de obras em alemão e italiano. Era fluente em 5 línguas. Apaixonado por ópera, ele se sentava “na ponta” da poltrona, com olhar fixado no palco. Sabia de cor inúmeras árias.

O Prof. Arruda Alvim dedicou sua vida, sem cessar, ao Direito. Foi autor de mais de 50 livros e centenas de artigos. Há poucos dias, havia lançado a 20ª edição da obra clássica: Manual de Direito Processual Civil.

Foi, em tudo, um polo irradiador de cultura, generosidade, conhecimento e sabedoria.

Foi o patriarca de uma família de juristas e, assim, o seu legado permanecerá.

Un bel dì [ci] vedremo.